Tive a ideia para esse texto depois de ficar sabendo pelo canal Fireship do último exploit no kernel do Linux que estava relacionado a um commit de 2017. E na semana passada, estava comentando com amigos que trabalham com ciência de dados o porquê de hoje preferir ficar longe de Linux.
Tudo bem, mas quem sou eu para falar sobre esse assunto? Uso o macOS desde meados de 2007, sem dual boot com Windows até meados de 2010. Depois dessa época usava Windows principalmente para rodar o Microsoft Flight Simulator X, até que eventualmente voltei a usar macOS exclusivamente até meados de 2018.
A partir de 2018 comecei a me interessar cada vez mais por computadores e eventualmente comecei a usar Linux em um MacBook antigo que ainda ligava na época. Esse MacBook era bem limitado e, já naquela época, não era capaz de rodar bem uma distro leve como o Linux Mint com XFCE. Tempos depois, percebi que estava ficando complicado continuar usando o meu MacBook Pro com o macOS, que iria parar de ter suporte em breve, então decidi começar a usar Linux em tempo integral. Essa fase durou até meados de 2022, quando comprei o meu MacBook Air M2.
Como é o caso para muitos usuários de macOS ou Linux, durante quase todo esse tempo continuei tendo contato com Windows, principalmente no trabalho. E atualmente uso o Windows 11 diariamente. Dito isso, acredito que sou capaz de passar a minha perspectiva de um usuário que realmente usa esses sistemas operacionais para realizar tarefas do dia a dia, que não joga mais jogos online ou offline, e só quer um computador que esteja plenamente funcional a qualquer hora que ligar. Acredito que isso cubra uma boa parte dos usos desses sistemas.
O que acho do Linux
Acho que todo mundo tem que ter algum contato com Linux, simplesmente porque ele não é um bicho de sete cabeças como já foi em algum momento. No entanto, acho que as pessoas precisam ter esse contato porque ele possibilita uma experiência mais completa — o usuário se torna muito mais consciente do que está por trás de cada decisão, principalmente depois de passar por alguns perrengues.
O fato do Linux poder se tornar qualquer coisa que o usuário quiser é poderosíssimo e, ao mesmo tempo, é exatamente o que faz um veterano saber dizer “não” quando tem a oportunidade de usá-lo no dia a dia. O veterano já vai ter passado por maus bocados em momentos críticos: teve que entregar algo importante e o computador deu problema por causa da última atualização. Muitas vezes é algo simples, mas às vezes uma modificação inocente deixou a máquina inutilizável. Esse tipo de coisa é muito comum no Linux.
Por isso, a primeira experiência sempre terá que ser em máquinas secundárias, que não tem problema nenhum deixar travar. Depois que você já testou várias coisas, já teve que formatar o computador algumas vezes, mas ainda assim quer continuar usando Linux, escolha uma distro estável para o dia a dia.
As melhores opções nesse quesito, na minha opinião, são:
- Ubuntu — a mais popular, com enorme base de suporte e documentação
- Linux Mint — excelente para quem vem do Windows, interface familiar
- Zorin OS — focado em facilidade de uso, boa experiência “out of the box”
- Fedora — bem considerado na comunidade
Com relação ao Fedora, a minha experiência foi super limitada — não cheguei a usá-lo em uma máquina no dia a dia.
Quanto ao Arch Linux, acho que o cenário é anárquico, pra dizer o mínimo. Não consigo recomendar o Arch para uso cotidiano para quem não tem conhecimento técnico avançado. É muito difícil depender de um sistema que tem uma nova atualização todo dia. Ubuntu e companhia têm o melhor equilíbrio entre estabilidade e atualidade dos pacotes — e é isso que importa para quem precisa trabalhar.
Por que não uso Linux
Não uso Linux principalmente por falta de otimização para a maior parte das máquinas em que você precisaria rodá-lo. Se a máquina tem Nvidia, vai ter problema de firmware. Se usa placa de Wi-Fi Broadcom, vai ter problema com drivers. Vários problemas que você nem imagina que existem, e que exigem gambiarras para funcionar.
Com relação ao MacBook Pro de 2014 que usava, era praticamente uma roleta russa o que ia funcionar. Tive problemas com regulagem do dissipador de calor, com a luz de fundo do teclado, com Wi-Fi, com webcam, com sincronização via OneDrive e com gerenciamento de bateria, entre outros. E o que vejo no futuro não parece melhor, principalmente com a tendência de soldar componentes nas máquinas e usar o máximo de hardware proprietário. O Asahi Linux, que parei de acompanhar há algum tempo, demonstra o quão difícil é a adaptação para os novos chips da Apple. Gostaria de ter segurança em um projeto como esse plenamente funcional, mas não consigo ter essa confiança no curto prazo. Escrevi mais sobre homelab e Linux em outro post — se quiser ver como é lidar com Linux em ambiente virtualizado, vale a leitura.
Para mim, que dependo de um computador funcionando 100% toda vez que ligo, não consigo confiar em qualquer um desses projetos no meu computador principal.
E o Windows?
Nesse fronte tenho coisas boas e ruins a dizer. O computador que uso no trabalho atualmente é bem capaz, então em termos de performance o Windows 11 roda excelente e nunca tive problemas. Gosto de algumas coisas no Windows Explorer que não existem no macOS — e sinceramente, é basicamente isso. Os pontos negativos principais estão relacionados ao bloat que a Microsoft insiste em colocar nos seus produtos: campanhas publicitárias no próprio sistema, e o Copilot em todo lugar, mas com usabilidade super limitada.
Por que uso o macOS
A principal vantagem do macOS está na confiança no hardware que estou rodando, não tanto no software. A minha experiência com produtos Apple nos últimos 15 anos foi muito positiva — nenhum problema sério. E hoje, conhecendo a capacidade do produto de manter performance durante muitos anos, isso foi determinante para que eu escolhesse o MacBook Air M2.
Sei que posso ficar com ele sem problemas por pelo menos 5 anos, sem pensar em trocar. Escrevi mais sobre isso em detalhes no post sobre 10 anos com MacBook — a longevidade real desse hardware é impressionante. Todas as experiências com computadores Windows ao longo dos anos foram bem piores nesse sentido, e isso é basicamente um fato amplamente conhecido.
Em relação ao software, não sou super fã — sei o que poderia melhorar — mas nada que uso no dia a dia faz um mal trabalho. A quantidade de aplicativos de qualidade disponíveis na App Store e em outros canais também é bem superior ao que era há alguns anos.
Espero que esse texto tenha te ajudado se você está entre essas opções. Busquei trazer a minha opinião de usuário, com experiências e perspectivas após anos de uso dos três sistemas, em vez de trazer dados crus sobre cada um deles.
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