A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) divulgou novos dados em 25 de abril de 2026, marcando o Dia Mundial da PI, e os números contam uma história clara: a propriedade intelectual na indústria do esporte está crescendo a quase o dobro da taxa média global de PI.
Entre 2016 e 2025, inventores, marcas e designers depositaram:
- Mais de 65.700 pedidos de patentes relacionados a esportes
- Mais de 1,25 milhão de marcas registradas relacionadas a esportes
- Mais de 70.000 desenhos industriais relacionados a esportes
Estes não são números de nicho — eles refletem uma mudança estrutural na forma como a indústria do esporte protege e monetiza a inovação.
As Taxas de Crescimento que Importam
A PI relacionada a esportes não é apenas grande em termos absolutos — ela está crescendo mais rapidamente do que praticamente qualquer outro setor.
| Tipo de PI | Crescimento Anual (Esportes) | Crescimento Anual (Média Global) | Múltiplo |
|---|---|---|---|
| Patents | 7.6% | 4.4% | 1.7x |
| Trademarks | 6.1% | ~3.2% | 1.9x |
| Industrial Designs | 8.3% | ~4.5% | 1.8x |
O padrão é consistente em todas as três principais categorias de PI. O esporte não é um segmento que meramente segue a tendência global — ele a supera de forma decisiva.
Quais Esportes Lideram em Patentes?
Nem todos os esportes são iguais quando se trata de intensidade de inovação. O relatório WIPO Technology SPARK identifica golfe, natação e esportes de raquete como as disciplinas com maior intensidade de patentes.
Isso faz sentido intuitivo: são esportes onde melhorias incrementais em equipamentos — uma bola de golfe mais aerodinâmica, um tecido de maiô mais rápido, uma raquete de tênis mais leve — se traduzem diretamente em vantagem competitiva e valor comercial.
Os principais depositantes de patentes incluem:
- Titleist e PING (equipamentos de golfe e tecnologia de bolas)
- Nike e Adidas (calçados, vestuário e ciência de materiais)
- Srixon, Decathlon e Callaway (principais depositantes de desenhos em 2025)
Marcas Registradas: Onde o Esporte Encontra a Grande Tecnologia
Os dados de marcas registradas revelam algo mais interessante do que patentes: a economia da PI esportiva não se limita mais a marcas de esportes.
Os principais proprietários de marcas registradas no espaço esportivo incluem Disney, Apple e Amazon — empresas cujo negócio principal não é esporte, mas que construíram enormes portfólios adjacentes ao esporte através de direitos de streaming, tecnologia de fitness, mercadorias e plataformas de engajamento de fãs.
Ao lado delas, marcas esportivas tradicionais como NBA, WWE e Decathlon permanecem como depositantes dominantes.
Essa convergência sinaliza uma mudança: o esporte está se tornando uma plataforma de conteúdo e tecnologia, não apenas um formato de competição. O valor está se deslocando do campo para a tela, o vestível e o fluxo de dados.
Desenhos: A Fronteira Voltada para o Consumidor
Em desenhos industriais, as tecnologias de academia e fitness lideram os depósitos. Isso reflete a crescente importância do design de produto e da experiência do usuário nos mercados esportivos voltados para o consumidor.
Os principais depositantes de desenhos em 2025 foram Srixon (bolas de golfe), Decathlon (equipamentos multiesportivos) e Callaway (tacos de golfe) — todas empresas onde a aparência do produto e a interação do usuário influenciam diretamente as decisões de compra.
Análise Regional: Ásia Domina a Manufatura, Europa Lidera o Branding
| Região | Patentes | Desenhos | Marcas Registradas |
|---|---|---|---|
| Asia | 63% | 76% | — |
| North America | 22% | — | — |
| Europe | — | — | 43% |
A Ásia é a principal fonte de patentes e desenhos esportivos, refletindo sua força em manufatura e eletrônica. A Europa se destaca na atividade de marcas registradas — um testemunho do denso panorama de marcas, clubes e ligas esportivas no continente.
O Ângulo do Desenvolvimento: O Esporte como Porta de Entrada para a PI
Uma das descobertas mais encorajadoras é o crescimento de dois dígitos da PI relacionada a esportes em economias de baixa e média renda. A OMPI observa que o esporte pode atuar como um ponto de entrada acessível para a inovação e a conscientização sobre PI em países em desenvolvimento.
Para o Brasil — um país com uma cultura esportiva massiva, mas taxas de depósito de PI per capita relativamente baixas — isso representa tanto uma oportunidade quanto um diagnóstico. O crescimento da inovação relacionada a esportes em economias em desenvolvimento sugere que a indústria esportiva brasileira (futebol, artes marciais, surfe, atletismo) poderia ser um vetor subaproveitado para a criação de valor impulsionada pela PI.
Tecnologias Remodelando o Esporte
O relatório da OMPI vai além dos números brutos e destaca as tecnologias que impulsionam essa transformação:
- Dispositivos vestíveis — rastreamento de desempenho, biometria, prevenção de lesões
- Análise de dados — estratégia de jogo, avaliação de jogadores, engajamento de fãs
- Equipamentos inteligentes — bolas conectadas, tênis inteligentes, equipamentos com sensores
- Tecnologias de arbitragem — VAR, marcação de linha automatizada, árbitros de IA
Muitas dessas inovações estão se expandindo do esporte para a saúde, entretenimento e produtos de consumo — um lembrete de que a PI esportiva tem efeitos secundários além do estádio.
A Resposta da OMPI: Um Fluxo de Trabalho Dedicado
Para intensificar o trabalho nesta área, a OMPI formou um fluxo de trabalho sobre PI e Esportes e expandirá os esforços para auxiliar atletas, associações esportivas e Estados-Membros — incluindo na área de e-sports, que é cada vez mais reconhecida como um domínio legítimo de PI.
O Que Isso Significa para Inovadores e Profissionais
Segundo os dados do relatório WIPO Technology SPARK, a indústria do esporte é cada vez mais uma indústria de PI. Para advogados de patentes, agentes de marcas registradas e estrategistas de inovação, isso significa:
- A tecnologia esportiva é uma área de prática em crescimento — o crescimento anual de 7,6% em patentes esportivas está bem acima da linha de base global de 4,4%, tornando-a uma especialização atraente.
- A estratégia de marcas registradas no esporte agora exige uma visão multi-indústria — a marca esportiva de seu cliente compete por atenção não apenas com outras marcas esportivas, mas com Disney, Apple e Amazon.
- A proteção de desenhos é tão importante quanto a proteção de patentes em esportes voltados para o consumidor — a taxa de crescimento de desenhos (8,3%) é superior à de patentes (7,6%), refletindo a importância da estética e da UX em produtos esportivos.
- Mercados em desenvolvimento estão se atualizando — o crescimento de dois dígitos em economias de baixa e média renda sugere que a próxima onda de inovação esportiva pode vir de lugares inesperados.
Conclusão
O boom da PI esportiva não é uma tendência de curto prazo — ele reflete uma transformação estrutural na forma como os esportes são jogados, consumidos e monetizados. À medida que os vestíveis se tornam mais inteligentes, os dados mais ricos e o engajamento dos fãs mais imersivo, os portfólios de PI por trás dessas inovações só irão crescer.
Para o Brasil, a janela está aberta. Com o maior ecossistema de futebol do mundo, um cenário de startups em crescimento e uma crescente conscientização sobre a PI como um ativo estratégico, o país tem os ingredientes brutos para capturar uma fatia deste mercado em expansão.
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